Saturday, April 16, 2011

Cedo da manhã de sábado em Porto Alegre...

7h, atravessando a Osvaldo Aranha para pegar o T5
Um cara bêbado, provavelmente saindo do Ociente, me aborda:

- Brãlãlálã?.
- O quê? - perguntei um pouco assustada, mas já percebendo que seria mais fácil eu assaltá-lo que o contrário.
- Tá indo embora?
Eu ri, óbvio. - Não, estou indo trabalhar!
- Capaz! Trabalhar essa hora?! - ele, indignado, virando o corpo em minha direção conforme eu passava por ele, no canteiro do corredor de ônibus.
- Hahaha, sim. E tu, saindo da balada, pelo jeito.
- Sim, to indo pra casa - e se foi em um ônibus em direção ao Centro.

Aroma etílico no T5
No ônibus, três adolescentes voltando de outra balada. As gurias de pés descalços e imundos, uma dormindo no ombro da outra, esta outra cuidando a parada onde descer.

Sentei ao lado de um rapaz. Ele tinha a fisionomia de um portador de necessidades especiais (eu adoro essas pessoas, já cuidei de duas), mas logo percebi que era embriaguez.

Preciso descrever o cheiro no ônibus?

Foi divertido...

Já no 195-TV...
Não parecia ter ninguém saindo da balada. Ao fundo, uns possíveis "meliantes" que talvez tenham passado a noite no Centro em busca de gente para assaltar. Também pode ser preconceito meu - mas foi evitando ele que eu fui assaltada na Osvaldo dia desses.

Um gremista e outras duas pessoas dormiam, uma menina do meu lado vestia um casaco que exalava aquele cheiro de armário com naftalina - esfriou um pouco hoje.

Em uma das paradas subindo o morro em direção à RBS, entra um rapaz branco de olhos claros e cabelo loiro ralo. Chinelo de dedo, pés sujos, calção de surfista e camiseta. Chegou bem perto do cobrador e pediu "carona". Eu estava a dois bancos da roleta.

O cobrador pediu para que ele olhasse para a câmera atrás dele. O rapaz desceu correndo na parada seguinte. O cobrador garantiu: "Era assalto certo". Olhou o relógio: "Cedo, ein!? Sete e cinquenta da manhã!"

Antes mesmo que eu pudesse perguntá-lo o porquê de tanta certeza, ele já ligou para o colega Francisco:

- Não pega um alemão que vai estar na parada aqui (não lembro especificamente onde no morro), ele quase me assaltou, é assalto na certa.

Mas era a mulher do Francisco.

- Esse pessoal troca de celular como troca de roupa! Mas acho que ela vai avisar - disse o cobrador, enquanto já discava outro número. - Oh, parceiro, manda uma viatura aqui (na rua tal) que tem um alemão que tentou me assaltar. Por favor, rápido, que ele tá aqui!

Logo passamos pelo ônibus do Francisco. O motorista fez sinal de luz e buzinou. Parece que a esposa avisou o marido, estava tudo certo com eles.

Então, consegui conversar com o cobrador. Ele disse ter certeza ser assalto porque o menino chegou olhando direto para a gaveta com o dinheiro, se assustou com a câmera, saiu um pouco contrariado e até sem jeito.

O cobrador também tem experiência no assunto, este seria o quarto assalto dele. "No último, o cara colocou um 38 aqui do lado que parecia que o cano ia entrar no pulmão". Eram duas e vinte da tarde, subindo o morro.

- Ele ia assaltar todos no ônibus - levantei a questão, com os olhos arregalados, completamente insegura.
- Não, ia só me assaltar e levar as bolsas de quem estava mais perto aqui - apontou para os primeiros bancos depois da roleta. Outra bolsa minha, não! Por favor!

Os demais passageiros, o assaltante teria que acordar, os sonos eram profundos. As duas meninas acordadas sentadas próximas a mim assistiam à conversa como se fosse sobre uma receita de bolo. Nem se impressionaram com o acontecido.

Ao descer, a única coisa que pude dizer ao cobrador foi "tchau, boa sorte aí".

Afff...
Não interessa o local, não interessa o horário. É básico que possamos andar de ônibus com tranquilidade, se a pé não é mais seguro (não tive coragem de caminhar até a Salgado Filho, às 7h. Por isso, peguei os dois ônibus).

Cadê o policiamento, cadê as tão faladas "políticas públicas", cujo nome é bonito, mas cujas atividades e resultados são pouco sentidos? Cadê a ordem social? Que absurdo! Não dá nem mais para ir trabalhar em paz! Bêbados na saída das baladas, nenhum problema. Agora, assalto em pleno sábado de manhã cedo, no ônibus?

Fora o medo de esperar o T5 na Osvaldo, cuidando para ver se, a qualquer momento, saía um maluco da Redenção querendo outra bolsa minha.

A única coisa que me resta dizer para mim mesma é que "nossa impotência é grande".

2 comments:

  1. Nossa, muito legal o seu post e falando em segurança publica, essa semana soube de um PM daqui de são José que a cidade tem apenas 3 viaturas rodando em dia de semana, da pra acreditar nisso?? Beijinhos, se cuida aí!!

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  2. Bah, Mari, que horror. A estrutura da PM, realmente, é muito fraca. Sem falar nos salários dos PMs, que arriscam a vida todos os dias nesse Brasil maluco pra ganhar muito pouco. Absurdo!

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