Tuesday, June 21, 2011

Paris e Woody Allen, uma belíssima combinação.

“Meia-noite em Paris” é leve e denso. Leve porque é Paris, porque é Woody Allen. Denso, por causa da história, ou melhor, das tantas histórias que conta em uma só e das diferentes mensagens que passa.

Meia-noite em Paris já encanta no início, com ótimos enquadramentos da romântica capital.

Teve gente que saiu do cinema no meio do filme. Teve gente que odiou o filme. Eu acho que não há como não gostar de alguma obra de Woody Allen. Há, apenas, como não fazer muito esforço para compreender o que ele quer dizer.

Em “Meia-noite…”, ele fala de algo simples de forma cômica e, até, um tanto bizarra: a nostalgia. Fala também de relacionamento falido, de imaginação, de mudança. Critica os colegas roteiristas hollywoodianos, critica os americanos, critica o ser humano. Tudo com muita sutileza.

Não sou uma grande conhecedora da obra de Allen. Mas me parece que, até aqui, nada soa muito diferente de seus outros filmes.

Porém, quando o relógio bate meia-noite na capital francesa, a trama vai além dessas críticas, das frustações de traição, medo do futuro e acomodação. Como? Tem que assistir – e viajar com o enredo, captar os detalhes, explorar as conclusões sobre o porquê de cada cena.

Não espere um final surpreendente. Não espere uma explicação racional pelo que acontece no filme. Woody Allen nos convida a imaginar. Apresenta-nos escritores, pintores, gênios de todos os tempos, com uma leitura despretensiosa e inteligente de cada personalidade. É incrível.

Dá para conhecer mais de arte e literatura com “Meia-noite…”. Dá para pensar mais sobre a insatisfação humana, presente em qualquer época. Dá para rir muito com Adrien Brody no papel do pirado do Salvador Dalí compondo uma pintura. Dá para se deliciar com mais encantos de Woody Allen.

Outras duas coisas que adorei na obra: Rachel McAdams lembra a Scarlet, a queridinha do diretor. E o protagonista, Owen Wilson, se parece muito com o próprio Woody Allen!